O que eu nunca entendi sobre o Natal

25 de dezembro de 2012 § 1 comentário

Desde criança ando pela cidade e vejo papais noéis jogando bala, sorrindo de graça e falando coisinhas legais com suas barbas de mentirinha.

Durante anos gastamos meses e meses ensaiando cantatas de Natal com as outras crianças da igreja. As tias montavam cenários que davam horas, dias de trabalho e na grande noite íamos, todos ansiosos, para a frente da igreja apresentar para os adultos o fruto de toda aquela dedicação.

As prefeituras, desde cidades minúsculas até grandes capitais se preocupam em fazer uma bela decoração natalina e as pessoas admiram tudo isso. Os shoppings, lojas, ruas, praças…tudo fica com esse espírito natalino, com tantos sentimentos bons nos olhos das pessoas. Os vendedores ficam loucos, fazendo milhares de horas extras. As pessoas ficam em filas gigantescas sem reclamar de nada.

O que será que acontece?O que transforma as pessoas desse jeito?
Este texto não é para responder nada, nem pra perguntar nada…

Mas o que quero saber é: até que ponto entendemos o POR QUÊ de fazer certas coisas? Será que realmente sabemos o que estamos fazendo?

Vou encerrar o texto expondo uma grande inquietação que tenho: de não saber o que estou fazendo, de seguir uma rotina diária, mensal, anual de falta de consciência, da preguiça de pensar.

Ainda faço muitas coisas sem saber direito o por quê, sem contestar a essência, sem explorar o motivo real…mas vivo incomodado, em algumas horas até perco a paz!

Queria simplesmente entender. É pedir demais?

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Adeus

4 de abril de 2011 § Deixe um comentário

A luz do sol se dava à liberdade de invadir meu quarto por uma fresta esquecida da janela, já era a manhã de sexta feira.
Abri os olhos, você de pé na minha frente, como de praxe.
Comecei a refletir, a partir dali, no quanto nós dois estávamos desgastados por esse nosso relacionamento nos últimos meses, era só você e eu, por fins e mais fins de semanas a fio e eu já estava ficando chateado com isso.
Quando a encontrei nem quis saber do seu passado, com quem você esteve antes, que outras pessoas nutriram sentimentos maiores por vocês, até maiores do que os que eu nutri: você era suficiente para mim e, para o momento estávamos muito bem.
Sei que passamos por várias coisas juntos, e você me fez crescer bastante e presenciou momentos únicos, todavia, a hora de despedir se aproxima.
Não fique triste querida, não é nada pessoal. Eu garanto!
É que sempre chega a hora de dizer adeus e nós dois precisamos disso, ao menos por um tempo até que nos convençamos de que um não poderia ficar sem o outro novamente.
Não vou mandá-la embora, obviamente, você pode continuar na minha casa, servindo-nos de outra forma que te desgaste menos e me desgaste menos.
Entretanto, não vou exigir mais tanto de você, nem espero que você exija de mim.
Encontrei alguém melhor, que me atende melhor, cuja relação é mais confortável embora um pouco mais dispendiosa no início. Espero que você entenda, afinal de contas, o mundo é isso mesmo: Quando temos algo bom e encontramos algo melhor, inevitavelmente optamos por trocar e trocamos. Não veja isso como insensibilidade, ou me veja como um canalha que vive analisando o que é melhor para si e usando tudo ao seu favor para depois jogar fora e trocar por outro melhor: esse não é o ciclo e você sabe muito bem, haja vista o tempo que passamos juntos.

Espero que não se importe em ser rebaixada a encosto de ventilador, afinal de contas, o posto não é tão humilhante, você continuará dentro do meu quarto e não precisará mais agüentar tanto peso.

Enfim, querida cadeira, espero ter sido claro e, vamos aproveitar mais, até que a nova cadeira chegue e você saia definitivamente desde posto.

Obrigado por ler este post.

Atenciosamente,
Ítalo Chesley

A felicidade contraditória

2 de fevereiro de 2011 § 2 Comentários

Pessoas, bom dia.

A nossa vida é um turbilhão de sentimentos, vence quem consegue controlá-los e quiçá sair ilesos deles (a maioria de nós não consegue).

A felicidade, como eu já conceituei em outra oportunidade é algo contextual e ao mesmo tempo não.

Hoje não vou me ater à longevidade da felicidade ou se ela é um estado ou um estilo de vida: Vou falar sobre como ela pode ser contraditória e uma situação onde isso pode acontecer.

Quando alguém que a gente ama, convive, torce, admira ou tenha simples apreço e intimidade sinceros consegue algo bom, que vai fazê-lo crescer, que vai trazer sucesso à sua vida ficamos muito felizes. É como se o sucesso desta pessoa fosse o nosso próprio sucesso, como se o suor derramado, as preocupações, as lutas, as confusões e a ansiedade fossem também nossos, afinal de contas, em muitas das vezes que acontecem coisas assim, acompanhamos o processo de expectativas pelas boas notícias.

O inevitável às vezes é que essas conquistas alheias-quase-nossas de pessoas tão especiais as levam pra longe de nós, coisa que não queríamos que acontecesse e às vezes, nem estivéssemos preparados para receber, mas, acontece pela vida a fora.

A felicidade se torna contraditória, estamos errados em estar felizes, e errados em estar tristes: alguém a quem queremos bem vai embora, mas é o início de uma conquista cujas dimensões nem imaginamos a priori.

Sobre esses acontecimentos nada podemos fazer, o que nos resta é olhar pra trás, guardar as boas lembranças num lugar seguro do nosso coração e estar prontos a qualquer ajuda que ela possa precisar.

A distância é saudável, sobretudo, quando valorizamos quem está longe e sabemos demonstrar em muitas ações e poucas palavras o quanto gostaríamos que ela estivesse perto.

Esse texto foi escrito por causa dos novos horizontes que a minha amiga Gesilene está vislumbrando agora.Ela sabe o quanto significou para mim desde que começamos a trabalhar juntos e que as portas (e janelas) continuarão sempre abertas à sua graça.

Grato pela leitura do texto!

Atenciosamente,
Ítalo Chesley

Amigos, o que tenho a ver com eles?

31 de janeiro de 2011 § 2 Comentários

Bom dia pessoal, tudo fino?

O fim de semana foi bastante legal, agora temos internet em casa e não mais vou precisar ficar escrevendo para o blog apenas no trabalho. Depois posto aqui sobre a odisséia que tivemos com a operadora que nos provê internet, afinal de contas, o assunto do post hoje é outro: Amigos.

Quantos outros escritores muito mais capacitados, experientes e menos anônimos do que eu já escreveram sobre amizade, entretanto, hoje quero abordar esse tema de forma prática, usando algumas poucas, corriqueiras e simples experiências que tive no fim de semana.

Um amigo meu das antigas esteve aqui na minha cidade e me contatou para que pudéssemos nos encontrar pra conversar, colocar os papos em dia: Fui à igreja onde ele estava, para tanto. O olhei e ele continuava o mesmo, magrelo, de óculos, cara de nerd, meio calado e cheio de manias nerd. Eu sei que ele mudou e eu também mudei, entretanto, a nossa amizade parecia não ter sido pausada pela distância e volatilidade das nossas vidas.

Ele, outro amigo que também estava junto e eu, conversamos longamente e o melhor: Continuamos os mesmos em nossas diferenças. É certo que a nossa vida mudou, nossas perspectivas, nossas expectativas de vida e etc, mas nós ainda éramos amigos.

Na mesma oportunidade ouvi uma coisa muito interessante: “Vai lá em casa, você acolheu o fulano quando ele ficou sozinho, agora é a vez dele de te acolher”. Era a mãe de um antigo amigo que me convidara a ir conhecer sua casa nova, com um sorriso no rosto e uma sinceridade no tom da voz, características difíceis de não acreditar e não se envolver.

Naquela noite tirei algumas conclusões acerca da amizade: Os amigos que tivemos um dia serão sempre nossos amigos.
Mesmo que passemos anos sem anos falar;
Mesmo que a gente mude em tantas coisas (e nós mudamos);
Mesmo que nossas perspectivas sejam totalmente novas;
Mesmo que a gente só se reencontre aquela vez, que pode ser a última;

Amizade às vezes não é estar ao lado de alguém todos os dias, ouvir todos os problemas, participar de todos os projetos: amizade pode ser a separação, a tomada individual de rumos, e de tempo em tempo o retorno para conferir se está tudo certo, colocar os assuntos em dia e provar que a nostalgia é merecida e os velhos tempos foram realmente bons.

Grato pela leitura do post.
Atenciosamente,

Ítalo Chesley

O caminho do fim

27 de janeiro de 2011 § Deixe um comentário

O fim tem o início geralmente trágico, cheio de espinhos, lágrimas machucados por toda parte. Se desenha claramente, em detalhes, como um quadro pintado por um artista, perfeitamente, com todos os detalhes à mostra e tão significativos que o fazem diferente, o fazem mais forte.

O meio do fim, pode acontecer de várias formas: podemos sofrer um pouco mais, ser nostálgicos; podemos esquecer, dizer “dane-se” e nunca mais sofrer; podemos dizer “dane-se” e voltar atrás dois minutos depois; ou não podemos dizer nada, nem sofrer, nem mesmo cair a ficha sobre o meio do fim.

O fim do fim, é ao mesmo tempo o mais necessário, o mais profundo e o mais doloroso. É quando já sofremos tudo e vimos que o tudo que sofremos não foi suficiente; É quando chegamos à conclusão do fim pela diferença, pelo caráter alheio das atitudes, das palavras, dos olhares, é quando nos damos cara a cara com a ausência.

O fim do fim é o adeus, cheio de demagogias, de promessas que nunca serão cumpridas, de falsos interesses, de apegos interesseiros, de restos de posse que fedem tanto quanto restos de comida que há dias apodrecem.

Entretanto, quando o fim do fim aparece, nos vemos nos livrando das barreiras, olhando pra frente, vendo coisas que há dias atrás não víamos ou que nunca vimos antes.

O fim do fim é caracterizado pelo momento onde se olha para trás e consegue enumerar seus aprendizados e tem, finalmente, o saldo final:

Aí sim, o fim acabou.

Atenciosamente,
Ítalo Chesley

A perda

26 de janeiro de 2011 § 1 comentário

A pior parte de perder o trem, não é a perda em si: É vê-lo ir embora sem poder fazer nada, o sentimento de impotência, o prejuízo, a frustração dos planos.

Viu todas as economias para tal viagem se esvaindo por um segundo, um segundo!

Foi aquele segundo que ficou a mais, sentado no sofá, pensando em algo que já havia passado, ou no que ainda nem ainda existia senão na sua imaginação?

Foi aquele copo com água a mais que resolveu tomar, pois, estava tão geladinha?

Foi aquele minuto a mais que resolveu dormir?

O que é que foi?

Disseram para não ficar se questionando sobre qual erro cometera, era inútil.
Entretanto, não conseguia parar de debater-se, de confrontar-se, de deixar de dormir por horas pura e simplesmente questionando o que havia feito de errado.

O erro foi ter visto o trem ir embora, se não o tivesse visto, ficaria a dúvida, a indiferença, enfim, um problema bem menor.

Repito: A pior parte de perder o trem é vê-lo ir embora e não poder fazer nada.

Ausência

24 de janeiro de 2011 § Deixe um comentário

Cadê o pasto?

A vaca comeu.

E a vaca?

Foi-se embora.

Jamais houvera pasto, nem vaca. Só ausência.

Onde estou?

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