Entre a tranquilidade e o desespero

7 de abril de 2013 § Deixe um comentário

Vou te contar sobre um dos paradoxos mais interessantes da vida: a tranquilidade se conquista com desespero.
Quando as veias ficam pequenas para a velocidade que o sangue quer correr pelo corpo
O coração frágil pra bater tantas vezes
Braços pequenos para carregar tanto peso
Olhos que não têm mais horizonte pra ver

Sem horizonte, é preciso apenas seguir em frente

Confiar

Não há choro que resolva
Não há quem tenha um conselho útil pra vender
Não há um telefonema que lhe traga alento
Há apenas silêncio
Um silêncio desesperador
E um relógio que anda de um lado para o outro, sem norte
Fazendo o seu papel de simplesmente deixar o tempo passar

E as portas e janelas começam a se abrir por todo lado
De repente são tantas possibilidades fica até difícil perceber
E o coração que antes era frágil pra bater tantas vezes, triste
Agora precisa escolher entre tantas oportunidades para aproveitar
E ele não errará

O desespero sorri pra você, como um palhaço fazendo graça
Você ri dele, daquele gesto besta, infantil
Percebendo que era só brincadeira
Que a vida estava te ensinando a sorrir, com o choro
E quando a próxima oportunidade de chorar e ficar desesperado chegar novamente
Você vai se lembrar desse palhaço, dessa graça
E vai sorrir
Como se o seu coração não fosse frágil
Como se o sangue pudesse voar baixo em suas veias
Como se seus braços fossem como os de um gigante
Como se seus olhos vissem o horizonte

Mas é só um palhaço…
O palhaço que te conta como você fica engraçado frente ao desespero
Que não adianta

E você ri, simplesmente

Haverá uma criança com um pranto seco ao seu lado
Se perguntando como você ri assim
Você lhe fará uma graça, um sorriso singelo
E lhe contará sobre um dos paradoxos mais interessantes da vida

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Perspectiva

3 de fevereiro de 2013 § 1 comentário

Amanhã bem cedo o sol irá sorrir pra mim
Cada gesto da natureza
Cada detalhe do Teu cuidado
Cada resposta ao desespero

Tudo irá me dizer que não sou folha jogada no vento
Que não há nada que eu possa fazer pra assumir o controle
E tudo o que eu fizer: toda força, nó em relâmpago, esperteza
Tudo será apenas instrumento Teu
Obra das Tuas Mãos sobre mim

Mesmo que às vezes fique sem saber o que fazer, desesperado
Às vezes feliz, cheio de perspectiva
Às vezes angustiado, por barulho ou silêncio
Às vezes cheio de certezas
Outras vezes cheio de dúvidas

Vivo assim
Debaixo do Teu cuidado
Que é sorriso do sol ou tempestade
Resposta ou silêncio
E é nisso que creio
E é tudo que tenho
É o que sou

Fim

25 de janeiro de 2011 § Deixe um comentário

Não é como o início que a gente quase não vê,
Passa tão depressa,
Se torna intenso,
E na primeira briga,
Torna-se o meio,

Não é como o meio
Meio indiferente
Meio estranho
Meio inconstante
E a gente quase que não aproveita

É como o Fim
Amargo, sincero, completo
Passa devagar, como as últimas horas de trabalho de sexta feira
Desenha-se ao horizonte como um dia anuviado
Lentamente, tão claro, tão perfeito em sua angústia
Deixa cada marca, e vai-se embora deixando-nos só

Música para acompanhar o post:
A vida não presta
Grato pela leitura.

Boa sorte!

O Encontro Casmurro

24 de janeiro de 2011 § Deixe um comentário

Texto cruzando O Encontro Marcado, de Fernando Sabino e Dom Casmurro, de Machado de Assis. Espero não ter assassinado nenhuma das literaturas.

Vidas quase iguais
Pais sem nomes
Histórias sem fim
Vidas sem nexo

Literaturas jamais vistas
O livro, de Eduardo Marciano
O soneto, de Bento Santiago
O casamento dos sonhos

O fim dos sonhos, pesadelos
Existências incógnitas
Só serviram aos outros
A si mesmos, nada

O cúmulo do autruísmo
Literaturas que por não existirem
Nunca serão esquecidas

Obrigado por ler!

Você quer voltar

19 de novembro de 2009 § Deixe um comentário

Eu sei que por onde você anda
Seus pés se sentem cansados
Teu corpo fadiga
E você se sente incomodada

Já estou exausto
Percorri vários caminhos
Me perdi
Mas meu pensamento ainda te persegue

A doçura que há em teu olhar
O vacilo dos teus passos
Sei que você quer voltar
Você não pode voltar

Vai ter que deixar a tua certeza
Abrir mão da tua promessa
Deixar de ser um exemplo
Se tornar rebelde, mas você quer votar

Eu vou te receber
Mesmo que estejas deserdada
Que não tenha um centavo no bolso
E ainda, esteja suja

Não me importa mais
Abro mão do que você passou
Ignoro seus enganos
Você pode voltar
Eu sei que você quer voltar

Se eu resolver

7 de outubro de 2009 § 1 comentário

Se um dia eu resolver contas todas as estrelas do céu
Quero que sejas minhas companhia
E sobre a areia desta praia vazia
Ao som de letras e melodia improvisadas
Descobrirei que encontrei em ti
O tesouro que mais procurava!
Sou pirata e o meu navio não tem cáis
Sou poeta e a minha inspiração é uma noite de lua achada e estrelas perdidas
Não sou nada sozinho
Contigo sou tudo
Sou eu, sou você
Somos dois, somos um só

Desventuas…

24 de setembro de 2009 § Deixe um comentário

Meu amor,
Não há mais nenhum rancor, nem desconfiança
A mesma força com que as ondas te matam
Podem te levar até a praia

A mesma força com que a chuva arrasa cidade
Pode abastar famílias e mais famílias secas

Na mesma estrada em que voce pode se perder
Pode se encontrar

Nem a perda nem o encontro são a toa
Nem a alegria nem o sofrimento são por acaso

Não somos como folhas secas que caem de árvores abandonadas
Estamos na mesma estrada…lado a lado, nós dois…
Não importa se perder ou encontrar
Ficar sóbrio ou louco
Quero estar ao teu lado
Para andar pelos sertões que me levares…

Espero que tenha gostado

Grato pela leitura

Por Italo Chesley

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