A (in)satisfação

21 de janeiro de 2011 § Deixe um comentário

Dois homens conversando no ponto de ônibus.

No início falavam sobre uma morena bem afeiçoada que chegara por ali. Os homens, já senhores, enauteciam os atributos corporais da morena como quem poderia alcançá-los sempre que quisessem.

Depois, chegou um vendedor de tomates, limões e o que quem estivesse por ali quisesse comprar, e os dois senhores o ficaram observando. Faziam comentários sobre tudo, e entre e um e outro comentário, aparecia algum assunto sobre o governo atual, os erros: todos sendo tratados com afinco e discussões muito acaloradas, como se estivessem em um tribunal, cada um tentando provar a sua verdade.

Entraram no ônibus, ambos com passagens especiais para idosos, sentaram-se e continuaram a discussão. Por fim, um deles começou a falar dos passageiros que atrapalhavam aos outros a chegar à porta e outro:

– Você não está insatisfeito.
-Mas esses idiotas ficam no caminho.
-Você não está insatisfeito.
Ou outro tentou ser mais expressivo.
– O monopólio dessa empresa de ônibus é culpa da prefeitura!
-Você não está insatisfeito
O outro bateu o pé no chão do ônibus, com força: Esse trocador está até pálido, deve ser o calor ao qual ele é submetido enquanto trabalha.

Depois de esbravejar e falar mal de Deus e o mundo, o senhor, já ofegante perguntou ao outro porque ele tanto repetia: “Você não está insatisfeito”.

O outro, como a economizar palavras disse: Se você estivesse realmente insatisfeito não andaria mais de ônibus. As insatisfações verdadeiras trazem consigo atitudes para modificá-las e você anda nesse ônibus há mais de 20 anos. Você não está insatisfeito.

O outro, se tinha argumentos, não gastou. Acredito muito que não tivesse.

Os dois seguiram calados até o ponto em que eu desci.

Enfim, qual é a nossa insatisfação? E o que temos feito?

Obrigado por ler.

Atenciosamente,

Ítalo Chesley

Cuidarei de você

2 de janeiro de 2010 § 2 Comentários

O primeiro verso
Me veio com tanto fervor
Que tinha de torná-la o quinto
Talvez para embromar e prendê-la à leitura até ele:
Eu vou cuidar de você

Vou fazer com que seu travesseiro esteja macio
E o teu corbertor de livre do frio
Tua água esteja minuciosamente quente o quanto gostar
E fria o quanto gostar

Acordarei pela manhã
E saber quanto leite e quanto café preferes
Comprar os pães que você gostar
E te dar o melhor lugar

Conhecerei seus assuntos preferidos
Só para me certificar de que direi o que queres ouvir
Ovirei tudo o que disser, mesmo que diga o que quiser dizer

Sustentarei suas últimas esperanças
Porque essas sim, devem ser sustentadas
Segurarei tua mão quando sentir medo
Por fim, estarei ao teu lado até o último suspiro
Seja o meu ou o seu

Atenciosamente
Ítalo Chesley

Feliz 2010

31 de dezembro de 2009 § Deixe um comentário

Olá senhores, tudo bem com vocês?

Provavelmente você não estará lendo esta postagem ainda em 2009, porque no último dia do ano, poucas pessoas têm disposição ou nada a mais a fazer, para ficar na frente do computador vigiando pra ver se um blogueiro inconstante como eu, vai postar no blog.

Essa coisa de fim de ano, na verdade mesmo, não faz a menor diferença no tocante ao caráter de qualquer um, sem uma mudança definitiva interna. Não adianta apenas fazer promessas e dar trocentos mil abraços se você continua sendo exatamente a mesma pessoa que foi no ano passado.O primeiro passo é sermos conscientes da necessidade que temos de mudanças; o segundo é pensar em como efetuar essas mudanças, o que temos que eliminar, no que temos que nos apegar, o que temos que buscar; e por fim, o terceiro passo é buscar a mudança, percorrer o caminho doloroso e sermos como o lápis apontado, que sofre, mas escreve a cada dia melhor.

Ninguém pode dizer que não precisa mudar, nem que não mudou. Todos nós devemos querer mudar para melhor, é isso que deve ser a nossa motivação, ser uma pessoa melhor todos os dias, ser um profissional melhor todos os dias, ser um irmão, um amigo, um filho, um pai, um aluno, um qualquer coisa, a cada dia e poder dizer também no fim do ano, que tivemos um ano melhor que o ano passado.

Eu desejo o melhor de tudo a você, querido leitor, que em 2010, você mereça todas as vitórias que obtiver e aprenda com todas as derrotas.

Um forte abraço!

Atenciosamente,

Ítalo Chesley

Feliz Natal, dois tapinhas nas costas e Tchau!

25 de dezembro de 2009 § Deixe um comentário

Boa noite senhoras e senhores, como estão?

É incrível o poder que a humanidade tem para fingir que as coisas estão bem e que estamos todos felizes, só pelo fato de estarmos em pleno natal. Ontem, liguei a televisão de manhã e vi uma maravilha: alguns artistas revelando amigo oculto. Gastaram mais ou menos, umas duas horas na televisão fazendo uma merda daquela, já pensou em quanto isso custa? E o melhor: achando que alguém se interessa em ver aquela merda e o pior: tem gente que se interessa!

Tudo bem, o natal é um ótimo momento para estarmos juntos com nossos familiares, comemorando mais um ano vencido e abrindo mão de alguma aresta que tenha ficado para trás, no decorrer do ano.

Mas, por favor, querido leitor, não acredite nesse papinho furado de que, no fim do ano, nós temos que ter um pouquinho de paz, amar o nosso irmão, festejar e blá blá blá. Neste fim de ano, você tem que ser o que deveria ter sido o ano todo: Uma pessoa sincera, autêntica, honesta e deixar falsidade e hipocrisia para lá. Se você não gosta de alguém, não dê aqueles tapinhas ordinários nas costas, porque é ainda pior do que se você tivesse ficado quieto no seu canto, num silêncio sincero.

Não faça doações inúteis para entidades carentes, que doam ilusões, simplesmente enchendo crianças de brinquedos idiotas no fim do ano para dar um pouquinho de felicidade para aquelas crianças. E no resto do ano, o que será delas?

Por favor, não acredite no : “Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier“, porque, se depender da maior emissora de TV deste país, quando chegar o fim do ano que vem, você vai estar um pouquinho menos inteligente e pensará, quando tocarem essa música: “que música bonitinha“.

E no outro ano vai ser pior, e no outro pior ainda e onde isso vai parar?

Desejo, com um coração sincero, um Feliz Natal e um próspero ano novo aos meus nobres leitores, que estiveram aqui comigo neste segundo ano de Blog.

Obrigado por lerem minhas maluquisses diárias e acompanharem meus altos e baixos literários. Saibam, que por mais anônimos que sejam, tudo o que é postado aqui, é feito para vocês, para que tenham uma leitura de qualidade.

Obrigado por ler esta postagem

Atenciosamente,

Ítalo Chesley

Puseirinhas sexuais

10 de dezembro de 2009 § 2 Comentários

Olá senhoras e senhores, como estão as coisas?

Já ficaram sabendo da bela novidade, que veio diretamente da Europa, Inglaterra e chegou ao Brasil: as puseirinhas sexuais!
Agora, qualquer um (idiota) que quiser, pode comprá-las a um preço ínfimo, tipo 10 centavos, barato não?

Pois é, essas puseirinhas que, infelizmente, são moda entre os adolescentes, que em sua maioria, como não poderia deixar de ser, a utilizam sem ao menos saber seu significado. Mas você sabe o significado? Não?

Então, antes de soltar o verbo, os pronomes, os advérbios, os substantivos e por aí vai, vou mostrar a você, meu nobre leitor, um pouco ao que estamos dirata ou indiretamente submetidos.

Tudo bem, eu também concordo que o sexo já foi banalizado há muito tempo e que nem pedofilia, nem pornografia, nem traição, nem prostituição, gravidez precoce ou qualquer outra consequência da banalização do sexo depende desta pulserinha maldita, até porque nasceram antes dela.

Mas, até agora eu não tinha visto uma forma tão fácil e prática de expôr as pessoas, principalmente do sexo feminino, a sérios riscos oriundos de homens ou até mesmo, meninos muito mal intencionados.

Buscando sobre o assunto na internet e trocando idéia com amigos, vi que essa brincadeirinha já preocupa os pais das crianças e está sendo proibida em escolas, não era pra menos: Já aconteceram estupros e assédios sexuais em público por causa dessa bobagem.

Mas, o que tem a ver usar pulserinhas? Você deve estar se perguntando.

Não há nenhum problema, eu concordo e reafirmo: O problema está na perversão humana. Se não fosse ela, o nosso país seria mais justo, não haveria muito poder na mão de poucos e nenhum na mão de muitos.

Sem dúvidas, não custa colocar a cabeça pra pensar e não aderir a essa modinha, bem como combatê-la sempre que pudermos e acabar, ou pelo menos, fazer a nossa parte para acabar com essa palhaçada.

Obrigado por investir seu tempo lendo esta postagem

Atenciosamente

Ítalo Chesley

Equívoco de uma semana

6 de dezembro de 2009 § 2 Comentários

Notificação!
O texto abaixo publicado foi rejeitado pelo glorioso Jornal Circulando(Jornal de Laboratório do Curso de Jornalismo da Univale), sob alegação de que houve nele falta de ética e desrespeito às bibliotecárias, se você for uma bibliotecária, por favor, não prossiga com a leitura, pois, não quero ser alvo de processos judiciais contra a vossa honra e nem tenho dinheiro para pagar advogado, se mesmo assim quiser ler, eu não me responsabiliso pelos efeitos colaterais da leitura. No entanto, se não for bibliotecária, boa leitura!

No fim de uma manhãzinha de trabalho de matar qualquer um, eu, com meus dois inseparáveis livros de Fernando Sabino, cada um de uma biblioteca, saí do meu trabalho em horário de almoço e fui até a biblioteca pública para devolver o que era de lá: com muito pesar, subi as escadas da biblioteca e deixei o outro, que era da outra biblioteca, no guarda volumes, porque dificilmente eu sairia de lá com ele nas mãos sem ser, antes, acusado de furto de livros, pelo menos ganharia um título raro, numa época em que roubam todo tipo de obra de artes, com exceção dos livros, o que evidencia a falta de cultura dos ladrões desse país.Quando entrava, olhei lentamente para a direita e vi uma senhora com uma expressão estranha que me olhou e disse prontamente: O que você deseja? Eu, naturalmente, estava devolvendo o livro na data certa, disse apenas que queria fazer a devolução. Ela, cheia de razão,olhou para a data que eu deveria devolver o livro ,olhou pra mim e disse que infelizmente eu teria que pagar uma multa, porque hoje é dia vinte e sete de julho. Naquele momento eu passei por todos os manicômios mentais possíveis, mas nenhum psiquiatra, provavelmente mais loucos do que eu, conseguiu constatar a minha loucura, e eu, provavelmente mais louco que a bibliotecária, convencido de minha razão e da sua loucura disse a ela, vitorioso, apontando para um calendário de propaganda que estava em sua mesa: Em que mundo você está minha senhora? Hoje é dia vinte de julho, olha aqui ó! Ela, meio envergonhada, custando admitir o equívoco, chamou outra mais distraída que ela, que passava despercebida por ali e indagou, provando mais uma vez que não acreditava em mim: “Que dia do mês é hoje?” A outra, com cara de que estava mais voada ainda, o que me fez não acreditar muito nela, me surpreendeu e disse: Hoje é vinte de julho, por quê? A bibliotecária, sem querer admitir a burrice cometida respondeu: Não, não era nada.Obrigada. Eu saí até pisando alto, e subi correndo até o segundo andar da biblioteca em busca de outro livro pra ler, não posso ficar sem um livro na minha cabeceira, e até ouso admitir o pecado de que, ás vezes, eles me servem de sonífero à noite.
Cheguei lá em cima, pensei estar dando de cara com um fantasma, naquele lugar aparentemente obscuro e cheio de livros empoeirados, mas não, era uma das bibliotecárias, que, em nossa geração, inutilmente conhece cada estante daquela biblioteca. Geralmente, eu chego lá e vou direto na prateleira onde ficam os livros do meu autor preferido, mas, hoje, eu me perdi entre os livros de teatro e poesia, e por fim peguei um de Vinícius de Moraes, de muito bom gosto, ao menos pelo que folheei dele lá na hora. Desci as escadas euforicamente: já tinha gastado meia hora do meu horário de almoço que é curtíssimo.
Quando cheguei no balcão para passar o livro que pegaria emprestado, a bibliotecária, ainda perplexa pelo equívoco dos sete dias olhou para mim e perguntou : Será que eu estou caducando?
Eu disse, provavelmente está. Ela fez uma cara de descontentamento, como se não tivesse me perguntado nada, pegou o livro e foi preenchendo uma fichinha de controle. Ao terminar de preencher a fichinha ela me perguntou se eu ia levar só um, em plenas férias. Eu disse a ela que trabalhava o dia todo, portanto, só lia a noite e ela, cheia de compaixão porque provavelmente esqueceu que eu a chamei de caduca me deu dez dias a mais no empréstimo e ainda me desejou boa tarde. Eis aí a vantagem da sinceridade. Eu desejei a ela uma boa tarde de trabalho, e segui para casa com meus dois inseparáveis livros, o outro de Fernando Sabino, outro de Vinícius de Morais.

Obrigado pela leitura da postagem
Atenciosamente
Ítalo Chesley

O FEDEralismo

25 de novembro de 2009 § 2 Comentários

Boa noite senhores, tudo bem com vocês?

Fim de ano é muito interessante, inclusive nas Escolas onde tem o Ensino Médio entre os alunos que estão se formando nele. Há um federalismo (vontade de ir pra Federal) incontrolável entre os Estudantes tanto da rede pública como da privada.

Eu não acho nenhum pecado eles terem vontade de ir pra uma Federal, tanto que enquanto estava no terceiro ano do ensino médio, eu também tive essa vontade. O que me incomoda, é a aparente motivação deles terem esse desejo: querem saber de festanças, status, sair de casa e outras coisas desse nível. Essa motivação é totalmente vazia e, infelizmente, faz com que nossos adolescentes as tenham para outras áreas da sua vida, o que os faz ser fadados, infelizmente, ao fracasso.

Estou cansado de ver gente saindo de escola particular, entrando em cursinhos pré-vestibulares para aprender a passar no vestibular e enquanto estavam lá, falaram poucas e boas a respeito das Universidades privadas que tem em nossa cidade e hoje, onde eles estão? Isso que você pensou, nas faculdades das quais eles falaram mal.

Estou cansado de ver também, gente que no fim do terceiro ano do ensino médio fez mil planos ambiciosos e ideais, mas hoje estão trabalhando em lojinhas medianas de um comércio que é a preocupação da administração da cidade, porque não rende nada.

Os professores do Ensino Médio, ao menos até o dia em que eu estava lá, sempre disseram coisas que nem eles mesmo sabiam direito, tipo: “Nas empresas eles pedem o histórico escolar”, “Do jeito que vocês fazem, não entram no mercado de trabalho nunca”, “Nas empresas eles pedem redação”…blá…blá…blá.
Não sei se era segredo e não podia contar, mas a maioria deles estão há décadas em escolas, são, em sua maioria, pessoas medianas que continuam na mesma posição social até hoje, até hoje reclamam de seus salários e até hoje não fizeram nada para mudar nada. Nobres adolescentes, pelo amor de Deus, pensem nas coisas antes de falar, porque, como eu achava a maioria dos meus colegas de sala ridículos, provavelmente alguém também os achará e isso não é porque essas pessoas são ruins: é por que elas são realistas.

Do mesmo jeito que tem egresso de particular desempregado, tem de federal também. Isso depende das pessoas e não apenas das instituições de ensino.

Enfim, não quero defender a Federal ou a Particular, os professores ou os alunos, as escolas públicas ou privadas: quero defender o direito que cada um tem de pensar e principalmente de colocar seus planos em prática, senão, para que perder tempo planejando?

É isso aí senhores…

Grande abraço…

Obrigado por ler a postagem

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