Deu medinho?

3 de dezembro de 2012 § 1 comentário

Já escrevi e filosofei tanto sobre o medo: o medo alheio, o medo que incomoda, tira a auto confiança, o medo de sofrer, o medo de agir, o medo de errar.

O meu medo hoje é de ser freiado pelo meu próprio medo, minhas próprias inseguranças ou simples medo de algo dar errado. Olho pra trás e vejo que tudo o que deu certo na minha vida foi porque experimentei algo diferente, busquei algo novo, desconhecido. Algumas vezes a motivação pra isso foi uma pressão social, algo como: você tem que trabalhar, você tem que namorar, você tem que emagrecer, você tem isso, você tem aquilo. Obviamente ser impulsionado por isso não tira o brilho das conquistas que fiz, nem as banaliza ou quer dizer que fiz isso apenas para agradar às pessoas. Estou certo de todos os ganhos que tive e terei para o resto da vida.

O desafio de hoje é, como diz O Teatro Mágico: “Não acomodar com o que incomoda”. Quero tomar minhas decisões e agir sem um impulso externo: quero fazer isso por mim, por eu mesmo estar incomodado, por eu querer sair da rotina, do previsível, sair da caixa!

É preciso aprender a lidar com o medo: o medo de me machucar, o medo de errar, o medo de me arrepender, o medo de sofrer, o medo de pensarem que estou ficando louco.

Não estou enlouquecendo.

E tenho dito!

Adeus

4 de abril de 2011 § Deixe um comentário

A luz do sol se dava à liberdade de invadir meu quarto por uma fresta esquecida da janela, já era a manhã de sexta feira.
Abri os olhos, você de pé na minha frente, como de praxe.
Comecei a refletir, a partir dali, no quanto nós dois estávamos desgastados por esse nosso relacionamento nos últimos meses, era só você e eu, por fins e mais fins de semanas a fio e eu já estava ficando chateado com isso.
Quando a encontrei nem quis saber do seu passado, com quem você esteve antes, que outras pessoas nutriram sentimentos maiores por vocês, até maiores do que os que eu nutri: você era suficiente para mim e, para o momento estávamos muito bem.
Sei que passamos por várias coisas juntos, e você me fez crescer bastante e presenciou momentos únicos, todavia, a hora de despedir se aproxima.
Não fique triste querida, não é nada pessoal. Eu garanto!
É que sempre chega a hora de dizer adeus e nós dois precisamos disso, ao menos por um tempo até que nos convençamos de que um não poderia ficar sem o outro novamente.
Não vou mandá-la embora, obviamente, você pode continuar na minha casa, servindo-nos de outra forma que te desgaste menos e me desgaste menos.
Entretanto, não vou exigir mais tanto de você, nem espero que você exija de mim.
Encontrei alguém melhor, que me atende melhor, cuja relação é mais confortável embora um pouco mais dispendiosa no início. Espero que você entenda, afinal de contas, o mundo é isso mesmo: Quando temos algo bom e encontramos algo melhor, inevitavelmente optamos por trocar e trocamos. Não veja isso como insensibilidade, ou me veja como um canalha que vive analisando o que é melhor para si e usando tudo ao seu favor para depois jogar fora e trocar por outro melhor: esse não é o ciclo e você sabe muito bem, haja vista o tempo que passamos juntos.

Espero que não se importe em ser rebaixada a encosto de ventilador, afinal de contas, o posto não é tão humilhante, você continuará dentro do meu quarto e não precisará mais agüentar tanto peso.

Enfim, querida cadeira, espero ter sido claro e, vamos aproveitar mais, até que a nova cadeira chegue e você saia definitivamente desde posto.

Obrigado por ler este post.

Atenciosamente,
Ítalo Chesley

A felicidade contraditória

2 de fevereiro de 2011 § 2 Comentários

Pessoas, bom dia.

A nossa vida é um turbilhão de sentimentos, vence quem consegue controlá-los e quiçá sair ilesos deles (a maioria de nós não consegue).

A felicidade, como eu já conceituei em outra oportunidade é algo contextual e ao mesmo tempo não.

Hoje não vou me ater à longevidade da felicidade ou se ela é um estado ou um estilo de vida: Vou falar sobre como ela pode ser contraditória e uma situação onde isso pode acontecer.

Quando alguém que a gente ama, convive, torce, admira ou tenha simples apreço e intimidade sinceros consegue algo bom, que vai fazê-lo crescer, que vai trazer sucesso à sua vida ficamos muito felizes. É como se o sucesso desta pessoa fosse o nosso próprio sucesso, como se o suor derramado, as preocupações, as lutas, as confusões e a ansiedade fossem também nossos, afinal de contas, em muitas das vezes que acontecem coisas assim, acompanhamos o processo de expectativas pelas boas notícias.

O inevitável às vezes é que essas conquistas alheias-quase-nossas de pessoas tão especiais as levam pra longe de nós, coisa que não queríamos que acontecesse e às vezes, nem estivéssemos preparados para receber, mas, acontece pela vida a fora.

A felicidade se torna contraditória, estamos errados em estar felizes, e errados em estar tristes: alguém a quem queremos bem vai embora, mas é o início de uma conquista cujas dimensões nem imaginamos a priori.

Sobre esses acontecimentos nada podemos fazer, o que nos resta é olhar pra trás, guardar as boas lembranças num lugar seguro do nosso coração e estar prontos a qualquer ajuda que ela possa precisar.

A distância é saudável, sobretudo, quando valorizamos quem está longe e sabemos demonstrar em muitas ações e poucas palavras o quanto gostaríamos que ela estivesse perto.

Esse texto foi escrito por causa dos novos horizontes que a minha amiga Gesilene está vislumbrando agora.Ela sabe o quanto significou para mim desde que começamos a trabalhar juntos e que as portas (e janelas) continuarão sempre abertas à sua graça.

Grato pela leitura do texto!

Atenciosamente,
Ítalo Chesley

Amigos, o que tenho a ver com eles?

31 de janeiro de 2011 § 2 Comentários

Bom dia pessoal, tudo fino?

O fim de semana foi bastante legal, agora temos internet em casa e não mais vou precisar ficar escrevendo para o blog apenas no trabalho. Depois posto aqui sobre a odisséia que tivemos com a operadora que nos provê internet, afinal de contas, o assunto do post hoje é outro: Amigos.

Quantos outros escritores muito mais capacitados, experientes e menos anônimos do que eu já escreveram sobre amizade, entretanto, hoje quero abordar esse tema de forma prática, usando algumas poucas, corriqueiras e simples experiências que tive no fim de semana.

Um amigo meu das antigas esteve aqui na minha cidade e me contatou para que pudéssemos nos encontrar pra conversar, colocar os papos em dia: Fui à igreja onde ele estava, para tanto. O olhei e ele continuava o mesmo, magrelo, de óculos, cara de nerd, meio calado e cheio de manias nerd. Eu sei que ele mudou e eu também mudei, entretanto, a nossa amizade parecia não ter sido pausada pela distância e volatilidade das nossas vidas.

Ele, outro amigo que também estava junto e eu, conversamos longamente e o melhor: Continuamos os mesmos em nossas diferenças. É certo que a nossa vida mudou, nossas perspectivas, nossas expectativas de vida e etc, mas nós ainda éramos amigos.

Na mesma oportunidade ouvi uma coisa muito interessante: “Vai lá em casa, você acolheu o fulano quando ele ficou sozinho, agora é a vez dele de te acolher”. Era a mãe de um antigo amigo que me convidara a ir conhecer sua casa nova, com um sorriso no rosto e uma sinceridade no tom da voz, características difíceis de não acreditar e não se envolver.

Naquela noite tirei algumas conclusões acerca da amizade: Os amigos que tivemos um dia serão sempre nossos amigos.
Mesmo que passemos anos sem anos falar;
Mesmo que a gente mude em tantas coisas (e nós mudamos);
Mesmo que nossas perspectivas sejam totalmente novas;
Mesmo que a gente só se reencontre aquela vez, que pode ser a última;

Amizade às vezes não é estar ao lado de alguém todos os dias, ouvir todos os problemas, participar de todos os projetos: amizade pode ser a separação, a tomada individual de rumos, e de tempo em tempo o retorno para conferir se está tudo certo, colocar os assuntos em dia e provar que a nostalgia é merecida e os velhos tempos foram realmente bons.

Grato pela leitura do post.
Atenciosamente,

Ítalo Chesley

A perda

26 de janeiro de 2011 § 1 comentário

A pior parte de perder o trem, não é a perda em si: É vê-lo ir embora sem poder fazer nada, o sentimento de impotência, o prejuízo, a frustração dos planos.

Viu todas as economias para tal viagem se esvaindo por um segundo, um segundo!

Foi aquele segundo que ficou a mais, sentado no sofá, pensando em algo que já havia passado, ou no que ainda nem ainda existia senão na sua imaginação?

Foi aquele copo com água a mais que resolveu tomar, pois, estava tão geladinha?

Foi aquele minuto a mais que resolveu dormir?

O que é que foi?

Disseram para não ficar se questionando sobre qual erro cometera, era inútil.
Entretanto, não conseguia parar de debater-se, de confrontar-se, de deixar de dormir por horas pura e simplesmente questionando o que havia feito de errado.

O erro foi ter visto o trem ir embora, se não o tivesse visto, ficaria a dúvida, a indiferença, enfim, um problema bem menor.

Repito: A pior parte de perder o trem é vê-lo ir embora e não poder fazer nada.

A retórica do motorista

20 de janeiro de 2011 § 1 comentário

Voltando ao trabalho depois de um horário de almoço um pouco conturbado – sim, depois que a gente fica morando sem os pais isso acontece – peguei um ônibus que sempre pego para voltar ao trabalho. O ônibus não estava cheio demais, nem vazio. Quando a porta se abriu, o motorista estendeu a mão aberta em minha direção, não disse nada, mas eu entendi que era para esperar. Depois ele ergueu a mão duas vezes com a palma para cima, ordenando que eu subisse: ele parecia atento.

Subi os dois degraus do ônibus, coloquei a mochila para frente, para não ter dificuldades com a roleta: a trocadora, esperava a minha ação; Um cara que desceria pela frente porque não passava na roleta; Uma menina que, à primeira vista, julguei bonita me olhou: provavelmente como olhava para todo mundo que subia no ônibus.

O motorista colocou o ônibus em movimento, paramos em uns 4 pontos: embarques, desembarques, trânsito, sol escaldante, calor, sono(muito sono).Já pela metade do caminho, em um cruzamento, pelo corredor deu pra ver passarem dois rapazes numa moto, um deles ergueu o braço e esboçou uma expressão meio feia, como quem estava coberto de razão: e ele estava, todavia, o motorista continuou dirigindo, alheio a tudo.

Uma mulher alta, com uma tatuagem na nuca de alguma dessas palavras japonesas que ninguém entende mas acha bonitas porque acreditam dizer coisas bonitas, uma roupa branca e um semblante fechado que estava sentada ao meu lado deu o sinal, o motorista, mais uma vez alheio não parou e ela gritou: “Ow!”. Uns 20 metros depois do ponto ele parou e ela desceu esbravejando com a respiração.

Desde então, passei a acompanhar os olhos do motorista e lembrar de quantas vezes eu também fiz besteiras com meus olhos, como os dele, esboçando que meu pensamento estava muito longe daqui.Quem poderia imaginar o que estava passando pela família dele? Pela cabeça dele? Pelo intestino dele? Ele poderia estar com dor de barriga ou com a conta no banco no vermelho e não sabia o que fazer.

Quantas outras coisas não poderiam aflingir aquele homem?

Quantas coisas não nos poderiam aflingir(e isso acontecerá) durante toda a nossa vida?

O jeito é tentar entender, tentar melhorar.

Quanto ao que aconteceu como motorista hoje, não sei, só sei que foi assim.

Obrigado por ler!

Atenciosamente,

Ítalo Chesley

Palavras Avulssas

24 de agosto de 2009 § Deixe um comentário

Há tanto tempo eu não posto nada que escrevi exclusivamente para postar no blog, estou até estranhando escrever agora.

Ultimamente andei lendo livros de autores atuais na tentativa de quebrar um pouco o preconceito que tenho com eles, porque detesto que as pessoas tenham esse preconceito comigo.Minha lista de atualidades literárias começou com o livro intitulado Eu sei que vou te amar cujo autor é Arnaldo Jabor, um dos melhores e mais inteligente comentaristas da atualidade, na minha opinião. Já tinha lido textos desse cara antes e não me decepcionei com o livro. A estória é interessante, envolvente e ao mesmo tempo simples e acolhedora. Demorei dois dias para ler, tempo record, embor ao livro seja pequeno: apenas 133 páginas.
Para tirar a dúvida sobre a qualidade do texto, emprestei-o a um amigo que leu em apenas uma tarde, o que comprovou que o livro é bom pra caramba e me preparava a cada minuto mais para quebrar o preconceito com a literatura dos vivos.

O segundo livro que li foi O monge e o Executivo de James C. Hunter, que não é, na minha opinião, a Coca Cola toda que diziam por aí a seu respeito, mas é um livro bom e fácil de ler.Totalmente diferente de Eu sei que vou te amar, sem dúvidas!

Entre essas duas obras atuais, não resisti e peguei na biblioteca O Estudo em Vermelho, de Sir Arthur Conan Doyle, que me matou a saudade da literatura do século passado, da qual eu não consigo me desgarrar de jeito nenhum.

Agora, estou lendo um livro de Luis Fernando Verissimo intitulado As Mentiras que os Homens cantam. Li apenas o início mas achei-o ótimo e vale a pena conferir também.

Qualquer um dos livros citados nesta postagem são boa leitura garantida. Digo aos nobres senhores que me visitam minha caixinha de pensamentos: Nunca deixem de ler.Nunca! Os livros sempre têm alguma coisa que você não sabia e precisa saber o mais rápido possível.

Obrigado por ler essa postagem

Por Ítalo Chesley

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