A porta

24 de dezembro de 2014 § Deixe um comentário

Ela prometera que jamais bateria a porta daquele jeito e era essa a promessa que lhe latejava na cabeça, como uma dor que não dói no corpo.

A porta ficou toda empenada, a chave caiu da fechadura que se quebrou tão forte foi a batida.

Ela foi pra não sei onde, mas também não deu notícias e ele passou dois dias sozinho em casa e tentando consertar a porta, a fechadura e usar a chave de novo para estar em segurança. Por vezes, olhou pela janela procurando alguma sombra dela, tentando acordar em si uma esperança de que aquela porta jamais seria batida daquele jeito. Tentando encontrar palavras que a convencessem de jamais fazer aquilo e não as encontrou.

Pôs a porta no lugar e retirou a parte de fora da fechadura.

Ninguém mais tem o direito de batê-la tão violentamente por fora, ninguém mais tem o direito de entrar sem que ele queira.

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